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Proposta de redação

Li recentemente o seu artigo "Coitadinho, tão estressado"- exposto em setembro deste ano na revista "Veja"- e fiquei surpreendido. Afinal, sou um leitor assíduo de suas publicações, as quais me servem de referência, principalmente, sobre assuntos como a educação. No entanto, percebi uma lacuna em sua ciência acerca dos vestibulandos brasileiros. Dizer que o motivo do estresse desses alunos é meramente a falta do hábito de estudos é admitir não conhecer a rotina de um estudante em ano de vestibular.

Não posso dizer, todavia, que estás errado ao mencionar a falta de um costume de estudos como uma das causas do estresse no último ano do Ensino Médio, pois isso é realidade. Inclusive, o editor do jornal "Gazeta Mercantil" – Leonardo Trevisan – relata em seu texto "A Universidade dos que não estudam" o caso de uma garota, a qual cursava uma faculdade de pouco renome, que é indagada sobre o motivo de não ter se esforçado mais para ingressar em uma instituição melhor e a jovem respondeu, simplesmente: "não gosto de estudar". Esse fato demonstra como o estudante brasileiro não se empenha para adquirir conhecimento durante a sua vida escolar. Ou seja, o senhor acertou ao mencionar que a falta da frequência dos estudos leva a sobrecarga dos alunos em pré-vestibular, pelo motivo de não terem obtido a disciplina para cumprir os horários de estudos.

Espantou-me, contudo, atribuíres o estresse do vestibulando exclusivamente ao escasso costume de estudos, ainda mencionando a seguinte frase: "não é por excesso de dedicação, por horas demais diante dos livros." Quando li essa sua colocação questionei-me se a vossa senhoria realmente haveria conhecido algum aluno estudando em um ano de vestibular. Caso não conheça, aconselho que se familiarize com um, mas não qualquer um. Procure aqueles os quais tentam há mais de um ano, principalmente para as universidades e cursos mais concorridos – observe o estudante que irá prestar para o ITA ou para o curso de Medicina – isso mudará sua opinião.

Para compreender melhor esse assunto, o senhor deveria ao menos ler sobre a história de Marcela Malheiro, a estudante aprovada em nove das melhores universidades do Brasil. Em uma entrevista para o site G1 da "Globo", a garota informa que no ano de 2010 – quando prestou vestibular – desistiu das aulas de balé, jazz e sapateado, das conversas com os amigos pela internet, e dos passeios. Ela tinha aulas pela manhã e pela tarde e ao chegar a noite estudava sozinha em casa. Além do mais, a jovem ainda menciona as revisões nos domingos e feriados. O senhor há de concordar que essa tamanha carga horária de estudos, simulados e aulas, a grande demanda de exercícios, conteúdos e informações vão desgastando o aluno ao longo do ano letivo. O vestibulando vive para o vestibular, temos como exemplo a própria Marcela a qual teve de largar as atividades extracurriculares para dedicar-se exclusivamente ao exame.

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